Empresas
São Tomé e Príncipe é um dos poucos países africanos onde um estrangeiro pode registar uma empresa com 100% de capital próprio numa semana, sem sócio local e sem se deslocar ao país. O registo é a parte fácil; o trabalho a sério vem depois — conta bancária, licenças, contabilidade e repatriamento de lucros. Explicamos todo o percurso.
| Tipo | Indicado para | Capital mínimo |
|---|---|---|
| Sociedade unipessoal por quotas | Um único sócio — pessoa singular ou empresa | 20 000 STN (≈ 820 €) |
| Sociedade por quotas (Lda) | Vários sócios, pequenas e médias empresas | 150 000 STN (≈ 6 100 €) |
| Sociedade anónima (SA) | Grandes projetos, vários investidores, venda futura de participações | 350 000 STN (≈ 14 300 €) |
Para a maioria dos projetos estrangeiros a Lda ou a unipessoal são a melhor opção: poucas formalidades e responsabilidade limitada ao capital. A SA justifica-se se pretende atrair vários investidores ou trabalhar com concessões do Estado.
Três decisões convém tomar logo — alterar o pacto social depois é mais demorado e mais caro:
É nesta fase que mais tempo se perde: apostilas e legalizações consulares no seu país podem demorar mais do que o próprio registo.
As empresas são registadas no balcão único do Ministério da Justiça, na cidade de São Tomé, onde também se obtém o número de matrícula e o NIF e se publica o pacto social. O prazo é normalmente de 2 a 5 dias úteis após a entrega do processo completo. Se a atividade exigir licença, a entidade competente responde em até 15 dias úteis.
A conta é aberta num banco local, normalmente em 1 a 2 semanas. O banco verifica os beneficiários efetivos e a origem dos fundos, por isso tenha à mão os mesmos documentos do registo. A dobra está indexada ao euro (24,5 STN = 1 €), pelo que o risco cambial para um investidor europeu é mínimo.
É o passo mais esquecido. Investimentos a partir de 50 000 € podem ser registados ao abrigo do Código de Investimentos na APCI, a Agência de Promoção do Comércio e Investimento. O registo dá acesso a benefícios fiscais e aduaneiros e garante a transferência de lucros para o exterior. O dinheiro deve entrar no país oficialmente, por via bancária, caso contrário será difícil tirá-lo depois. Veja o nosso guia sobre impostos e benefícios.
Um prazo realista é de 1 a 2 semanas desde a entrega do processo completo até ter a empresa a funcionar com conta bancária. A maior parte do tempo vai para a preparação dos documentos no país do investidor — apostilas e traduções —, por isso comece por aí.
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Sobre o autor
Euclides Martins é CEO da MARSF Serviços, com mais de 13 anos de experiência em São Tomé e Príncipe. Foi especialista principal de comunicação da unidade nacional do Quadro Integrado Reforçado (QIR — Enhanced Integrated Framework, programa de Ajuda ao Comércio ligado à OMC) e responsável pela articulação com o Governo de São Tomé e Príncipe.
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Falar sobre o meu projeto →Este artigo tem carácter informativo e não constitui aconselhamento jurídico ou fiscal. Leis e taxas podem mudar — confirme as condições em vigor antes de decidir.